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15/02/10 - ISABEL CLARK VOLTA AO PALCO OLÍMPICO QUATRO ANOS APÓS O MELHOR RESULTADO BRASILEIRO EM JOGOS DE INVERNO - Brasileira é a única snowboarder da América Latina nos Jogos Olímpicos, entre homens e mulheres. Confira.
  
 

Responsável pelo melhor resultado brasileiro em Jogos Olímpicos de Inverno, a nona colocação em Turim-06, a snowboarder carioca Isabel Clark volta ao cenário olímpico para disputar a prova de cross dos Jogos de Vancouver 2010.
A partir das 16h (horário de Brasília) desta terça-feira, dia 16, a brasileira encara a exigente pista de Cypress Mountain e mais 24 adversárias com um único objetivo: comprovar que continua evoluindo como atleta. “Eu quero sempre seguir melhorando e me desenvolvendo em todas as áreas, principalmente física, técnica e mental. Após a prova, quero ter a certeza de que fiz o meu melhor”, afirma Isabel, porta-bandeira da delegação brasileira na Cerimônia de Abertura dos Jogos de Turim e Vancouver.

Além de mais experiente, a brasileira chegou a Vancouver com outro status após Turim. A começar pela forma como se classificou para os Jogos Olímpicos. “A classificação para Turim foi muito mais complicada. Para Vancouver, Isabel se classificou com alguma facilidade, sendo a 13ª colocada no ranking da Copa do Mundo e líder de todas as disciplinas no ranking latino americano de snowboard”, explica Stefano Arnhold, presidente da Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN).

Única snowboarder da América Latina, entre homens e mulheres, nos Jogos Olímpicos de Vancouver, Isabel Clark afirma não criar expectativas quanto a seu resultado, assim como não criou há quatro anos. “Não vou para a prova pensando em resultado. Busco sempre fazer o melhor”, disse a carioca. “Estou tranquila e concentrada. Me sinto mais experiente, os Jogos Olímpicos não são mais novidade pra mim. O que tenho que fazer é apenas pensar na pista e no que devo fazer durante a prova. O resultado é consequência”, ensina Isabel.

Devido às más condições climáticas em Cypress Mountain, as atletas só tiveram dois dias de treinos oficiais na pista onde será realizada a competição. Pouco para um percurso tão exigente. “Essa pista é tudo ou nada, com grau de dificuldade bem alto. Se você cometer um erro dificilmente vai conseguir prosseguir porque vai perder a velocidade”, explica a carioca.
“Mas eu tenho nível e confio em mim. O primeiro dia de treino não foi bom pra ninguém, mas no segundo já andei bem melhor. Agora é trabalhar a cabeça, mentalizar a pista, ver os vídeos dos treinos e me concentrar”, afirmou Isabel.

A prova de cross é uma das mais desafiadoras e emocionantes do Programa Olímpico de inverno, já que as atletas competem inicialmente contra o relógio e depois dividem a mesma pista com as adversárias. Na fase qualificatória, cada uma das 25 atletas desce duas vezes a pista individualmente. O melhor tempo das duas descidas decide a classificação para as finais, passando as 16 atletas mais velozes. Depois são realizadas baterias eliminatórias onde quatro atletas competem ao mesmo tempo. Nesta fase é muito comum haver quedas, já que os atletas dividem as estreitas curvas da pista desenhada especialmente para exigir o máximo dos  competidores. As duas primeiras colocadas nas quartas-de-final passam às semifinais. A grande final, marcada para as 18h45 (no horário de Brasília), é realizada pelas duas primeiras colocadas em cada semifinal.

Se a classificação para Vancouver foi tranquila, Isabel passou por um susto às vésperas da disputa olímpica. No dia 27 de janeiro, a brasileira caiu e bateu com a cabeça quando fazia o reconhecimento do percurso dos Winter X Games, em Aspen, nos Estados Unidos. “Foi um erro de cálculo. Fiz um salto que não estava planejado”. Isabel chegou a desmaiar e ficou algum tempo desorientada. “Eu só pensava nos Jogos Olímpicos. Não conseguia pensar direito quanto tempo faltava para os Jogos Olímpicos e perguntava isso o tempo todo”, explica a snowboarder. “Mas em quatro dias já estava de volta aos treinamentos, gradualmente. Hoje estou totalmente recuperada. Foi só um susto”, afirma a brasileira.

Se não cria expectativas para seu resultado em Vancouver, Isabel tem uma bela definição sobre o nono lugar em Turim-06, o melhor do Brasil em todas as edições de Jogos Olímpicos de Inverno. “Aquele foi o meu momento com o Brasil, onde pude trabalhar bem mesmo com muita pressão e dar o meu melhor.
Foi muito emocionante, pois os Jogos Olímpicos são marcantes. Me senti grande igual ao Brasil”, afirma Isabel Clark.

O snowboard é um esporte relativamente novo, que entrou no Programa Olímpico nos Jogos de Nagano-98, com provas de Slalom Gigante e Halfpipe. A prova de cross estreou nos Jogos Olímpicos de Turim-06, com grande sucesso de público.

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Isabel Clark