Responsável pelo melhor resultado brasileiro em Jogos Olímpicos de Inverno, a nona colocação em Turim-06, a snowboarder carioca Isabel Clark volta ao cenário olímpico para disputar a prova de cross dos Jogos de Vancouver 2010.
A partir das 16h (horário de Brasília) desta terça-feira, dia 16, a brasileira encara a exigente pista de Cypress Mountain e mais 24 adversárias com um único objetivo: comprovar que continua evoluindo como atleta. Eu quero sempre seguir melhorando e me desenvolvendo em todas as áreas, principalmente física, técnica e mental. Após a prova, quero ter a certeza de que fiz o meu melhor, afirma Isabel, porta-bandeira da delegação brasileira na Cerimônia de Abertura dos Jogos de Turim e Vancouver.
Além de mais experiente, a brasileira chegou a Vancouver com outro status após Turim. A começar pela forma como se classificou para os Jogos Olímpicos. A classificação para Turim foi muito mais complicada. Para Vancouver, Isabel se classificou com alguma facilidade, sendo a 13ª colocada no ranking da Copa do Mundo e líder de todas as disciplinas no ranking latino americano de snowboard, explica Stefano Arnhold, presidente da Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN).
Única snowboarder da América Latina, entre homens e mulheres, nos Jogos Olímpicos de Vancouver, Isabel Clark afirma não criar expectativas quanto a seu resultado, assim como não criou há quatro anos. Não vou para a prova pensando em resultado. Busco sempre fazer o melhor, disse a carioca. Estou tranquila e concentrada. Me sinto mais experiente, os Jogos Olímpicos não são mais novidade pra mim. O que tenho que fazer é apenas pensar na pista e no que devo fazer durante a prova. O resultado é consequência, ensina Isabel.
Devido às más condições climáticas em Cypress Mountain, as atletas só tiveram dois dias de treinos oficiais na pista onde será realizada a competição. Pouco para um percurso tão exigente. Essa pista é tudo ou nada, com grau de dificuldade bem alto. Se você cometer um erro dificilmente vai conseguir prosseguir porque vai perder a velocidade, explica a carioca.
Mas eu tenho nível e confio em mim. O primeiro dia de treino não foi bom pra ninguém, mas no segundo já andei bem melhor. Agora é trabalhar a cabeça, mentalizar a pista, ver os vídeos dos treinos e me concentrar, afirmou Isabel.
A prova de cross é uma das mais desafiadoras e emocionantes do Programa Olímpico de inverno, já que as atletas competem inicialmente contra o relógio e depois dividem a mesma pista com as adversárias. Na fase qualificatória, cada uma das 25 atletas desce duas vezes a pista individualmente. O melhor tempo das duas descidas decide a classificação para as finais, passando as 16 atletas mais velozes. Depois são realizadas baterias eliminatórias onde quatro atletas competem ao mesmo tempo. Nesta fase é muito comum haver quedas, já que os atletas dividem as estreitas curvas da pista desenhada especialmente para exigir o máximo dos competidores. As duas primeiras colocadas nas quartas-de-final passam às semifinais. A grande final, marcada para as 18h45 (no horário de Brasília), é realizada pelas duas primeiras colocadas em cada semifinal.
Se a classificação para Vancouver foi tranquila, Isabel passou por um susto às vésperas da disputa olímpica. No dia 27 de janeiro, a brasileira caiu e bateu com a cabeça quando fazia o reconhecimento do percurso dos Winter X Games, em Aspen, nos Estados Unidos. Foi um erro de cálculo. Fiz um salto que não estava planejado. Isabel chegou a desmaiar e ficou algum tempo desorientada. Eu só pensava nos Jogos Olímpicos. Não conseguia pensar direito quanto tempo faltava para os Jogos Olímpicos e perguntava isso o tempo todo, explica a snowboarder. Mas em quatro dias já estava de volta aos treinamentos, gradualmente. Hoje estou totalmente recuperada. Foi só um susto, afirma a brasileira.
Se não cria expectativas para seu resultado em Vancouver, Isabel tem uma bela definição sobre o nono lugar em Turim-06, o melhor do Brasil em todas as edições de Jogos Olímpicos de Inverno. Aquele foi o meu momento com o Brasil, onde pude trabalhar bem mesmo com muita pressão e dar o meu melhor.
Foi muito emocionante, pois os Jogos Olímpicos são marcantes. Me senti grande igual ao Brasil, afirma Isabel Clark.
O snowboard é um esporte relativamente novo, que entrou no Programa Olímpico nos Jogos de Nagano-98, com provas de Slalom Gigante e Halfpipe. A prova de cross estreou nos Jogos Olímpicos de Turim-06, com grande sucesso de público.
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